quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Ciúme

Edvard Munch - Jealousy

Ai, isso que me invade, me rasga, exclui minha razão.

Isso tudo que se apossa, que arde, que não quer passar.

Ai quando quero tirar, quero afogar, quero transpor.

Essa sensação estranha e familiar, vazia e forrada.

Tudo o que eu quero, tudo que não posso.

Ai, o que tem por nome comum, mas é novo a cada momento.

O que parece de todos, mas é exclusivo de cada um.

Ai esse incômodo que não se agüenta, que quer falar.

Que não me deixa agir, não me deixa pensar.

A imaginação, que se deixa voar

E tenta fazer real o que em mim criou.

Ai, esse pedaço cortado de dentro.

Essa entrega, essa não adaptação.

Pura confusão

Prefiro não ver, evito sentir.



2 comentários:

Catherine disse...

Muito me apetece aquilo que eu não sabia que você costuma escrever. Só te peço que não evite sentir, assim quem sabe depois você possa nomear, ou não...Caetano Veloso destruiu a minha vida depois desse "ou não" rs!!

Bella, bacio.

Anônimo disse...

Esta obra de Munch realmente revela um sentimento de intenso ciúme, então eu paro e penso se ainda o revelaria caso o quadro não se chamasse "Jealousy"...

O que é a linguagem? e o que é só o olhar? e que sentimento deveras este revela?

Tantas perguntas..vários sentidos diferentes para responder.

ótimo blog diferente da massa..

Abraço.