domingo, 25 de agosto de 2013

Doidas e Santas


Sempre que eu saio de alguma peça de teatro, que eu gosto muito, eu penso em escrever algo sobre ela, mas todas às vezes, eu nunca o faço. Por que dessa vez foi diferente? Porque a peça é tão boa e achei as interpretações tão sublimes que não consegui me conter.

Para começar: a peça traz à tona um assunto que é comum à muitas pessoas: crise no casamento. A Psicanalista Beatriz (Cissa Guimarães) está insatisfeita com seu casamento que já dura mais de 20 anos e com apoio da irmã mais nova Berenice (Josie Antello) decide se separar do marido Orlando (Giuseppe Oristanio). A construção da história é totalmente envolvente, as cenas trazem de boas gargalhadas (a Josie Antello está impagável nos papéis) até as mais sinceras lágrimas. Estas talvez se misturam à identificação da platéia com a personagem, as muitas histórias de separação e reconciliação, aos sonhos deixados para traz, ao tempo que voa e parece deixar no passado todos os momentos bons que hoje não se encontram mais. O fato é que a peça, lidando com um assunto que parece tão comum, traz o outro lado do casamento: a distância que cada vez mais acaba acontecendo entre os casais, as insatisfações, os desejos que quase nunca aparecem, as irritações, a falta de comunicação, a dor e a solidão à dois.

Uma parte da peça que achei bem interessante foi o retrato da dificuldade de se chegar à decisão de que o casamento já não é mais sinônimo de felicidade e que talvez a separação seja a solução porém, o medo da solidão, de mudar a rotina, de recomeçar a vida é muitas vezes maior do que a coragem de tentar ser feliz. E, além disso, sabemos que nenhuma separação é fácil, e isso também foi bem retratado na peça, quantas lágrimas derramadas pela fabulosa Cissa Guimarães no papel de Beatriz e o quanto tentava fingir de que estava tudo bem. Tudo bem para quem? Talvez a personagem como psicanalista deve ter ser perguntado muito isso...rs

Há um momento durante a peça em que Cissa Guimarães, refletindo sobre os lugares inusitados em que mãe gostaria que espalhassem suas cinzas, se questiona qual seria o local mais importante em sua vida em que gostaria que suas cinzas fossem jogadas e chega à conclusão de que os momentos mais felizes foram àqueles de início de namoro com seu (ex) marido Orlando , e daí por diante, as surpresas vindas de Giuseppe Oristanio (particularmente ótimo no papel) vale a pena conferir pessoalmente. Tudo vale muitíssimo a pena, a peça em si, a história e os atores que estão fantásticos em suas interpretações.


E claro, no final é ainda mais difícil não se emocionar com Cissa Guimarães, com toda sua força e capacidade de superação. Além de ser lindona!

Fica a dica: Doidas e Santas no Teatro das Artes – Shopping Eldorado. Av. Rebouças, 3970. São Paulo/SP.

Corram conferir, pois a peça termina este mês!!

domingo, 12 de junho de 2011


...

Estou esperando.
Pelo o que? Por ele, oras.
É... ele se foi, mas ele disse que ia voltar.
Eu disse que estaria esperando. Eu só estou cumprindo com o que eu disse.
Se ele também vai cumprir? Não sei, como eu vou saber?
Acho que sim.
Se ele não cumprir com a promessa eu procuro ele em todo lugar pra mostrar pra ele o que é ser mulher de palavra.
É, ele vai ver só.
Mas ele vai voltar, tenho certeza.
Todos os dias eu olho pela janela, sabe? Pra ver se ele ta chegando.
Não, não faz muito tempo não.
Uns 2 anos.. não... uns 12 anos... é, acho que é isso. Eu não fico contando os dias, eu vou vivendo né?! Um dia ele volta.
Mas não me preocupo não, tudo tem seu tempo né, moço? Na hora certa ele aparece.
Deve estar ocupado, mas ele não esqueceu de mim não.
Como assim, como eu sei? Sabendo, oras.
A gente tem que confiar né? Tem que acreditar. A vida só vai pra frente assim.
Minha mãe me falava, que a gente tem que esperar, o melhor ainda vai chegar.
O melhor já chegou pra mim, ele foi embora, mas ele vai voltar.
Meu pai dizia que isso é bobagem, que tem que ir atrás das coisas que a gente quer.
Meu pai? Ele foi embora, nunca mais voltou.
Minha mãe fica se lamentando até hoje, já fazem 20 anos, muito tempo né? Eu falo pra ela parar, viver a vida né? Mas ela não me escuta.
Eu não sou igual a ela, eu não me lamento pelas coisas não, acho isso bobagem.
Eu continuo vivendo normalmente.

Moço, você sabe quando ele vai voltar?
...

sábado, 21 de maio de 2011



Imagina,

Pensa, cria, concretiza

Ou não,

Não, não concretiza.

É simples, é uma vida por inteira.

Complexo é pensar na composição

O sujeito que compõe a oração

Feita de promessas e pecados,

Organiza a sentença

Que ele mesmo faz

Este sujeito aqui, deste lado

O adjetivo

Ou melhor, o substantivo próprio

Que assina seus atos com letra maiúscula

Identifica-se com o que foi criado por si,

Com aquilo que vê, que idealiza

Com o seu significado

Seus sentidos

Parte do que é, ou de como é visto

Não importa,

(sim, importa-se)

é Real.



sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Paris 6!


Só por ter sido um jantar extremamente agradável, merece que eu conte em detalhes.

Desde quando entrei no local, sabia que precisava escrever sobre essa experiência por aqui, afinal já fazia algum tempo que eu estava querendo ir ao Paris 6, e preciso relatar que ultrapassou minhas expectativas.

Paris 6, bistrô parisiense situado na Rua Haddock Lobo, 1240 – Jardins, é simplesmente maravilhoso!

Tive a grande oportunidade de jantar com uma amiga através de um sorteio pelo Twitter que me deu direito à um jantar VIP + acompanhante, e desde o momento que coloquei o pé no Paris 6 fui cercada de muita atenção, e o atendimento foi tão excepcional que por um momento achei que estivesse participando de algum filme, onde geralmente tudo parece perfeito. Mas não, é real.

Para começar com o ambiente, tem-se a sensação de estar jantando à luz de velas com o ambiente à meia luz, e tudo é tão confortável que é como se você levasse um pedacinho da sua casa para aquele lugar. Tem todo o clima parisiense, charmoso e aconchegante. A decoração é uma graça! Além dos cardápios enquadrados assinados por celebridades, elogiando o restaurante e o chef.

O couvert é uma delícia! Uma cestinha com pãezinhos variados quentinhos e fresquinhos, acompanhados de manteiga, patê de frango e azeitonas verdes temperadas.

O vinho da casa: sensacional! Não há outra palavra para descrever...

Pudemos experimentar de aperitivo uns mini bolinhos de arroz com queijo, estilo um croquetinho – divino!!

De entrada, escolhi uma salada, e mesmo a salada mais comum, como a de alface e tomate, consegue ser surpreendente no Paris6! As frutas frescas dão um toque especial, além do molho no tomate que sinceramente, nunca provei algo igual. Por mim, o meu jantar seria aquele.


(desculpa gente, não aguentei a vontade e fui comendo antes de tirar a foto)

Minha amiga escolheu a sopa de cebola, também maravilhosa!

Mas claro, aí vem o prato principal: massa ao molho bechamel e tiras de peito de pato. Delicioso!! Explêndido!! Nunca havia comido carne de pato antes, e é realmente bom, a massa é sensacional, o molho é surpreendente. Só experimentando para saber...



(Delícia!!)

Minha amiga pediu polpetone de carne recheado com queijo sobre purê de batatas.




A sobremesa era surpresa da casa, confesso que estava ansiosa desde o início para experimentar essa sobremesa misteriosa. O próprio chef Francisco Pinheiro veio nos trazer o prato , a sobremesa da minha amiga era “Petit Gateau Prestígio a ‘Álvaro Leme’”.


(simplesmente um luxo!)

O meu prato foi “Petit Gateau Creme de Lait a ‘Mia Mello’” – bolinho quente de doce de leite cremoso com sorvete de creme! MARAVILHOSO!! O bolinho é sensacional, macio, quentinho, e o doce de leite... hummmm



(Bom demais!!)

O chef ia a todo momento certificar-se de que estava tudo bem e se estávamos gostando do jantar, e o atendimento de garçons, recepcionistas, e todos que trabalham no local é ótimo, são educados e atendem com prazer. Paris6 é o lugar onde se é recebido bem, é atendido com educação, come-se maravilhosamente bem, e vai-se embora satisfeitíssimo sentindo que sua noite foi perfeita.

Definitivamente, o Paris 6 tornou-se meu restaurante preferido de São Paulo.

Recommandons!



sexta-feira, 7 de maio de 2010

Alice, no país das maravilhas?

Sei que foram expostas muitas teorias e supostas interpretações sobre o filme “Alice, no país das maravilhas”, irei expor aqui a minha opinião, o que eu penso sobre o tema e o filme em si.


Alice não é só uma história de uma menina que se questiona se está ficando louca por ter sonhos ou supostos sonhos sobre um universo, um país diferente com criaturas inexistentes, mas que para ela, são reais. A história de Alice é a história de muitos de nós.

Quantas vezes o que mais queremos não é cair em uma toca de coelho e se aprofundar em outro mundo, diferente da realidade? E quantas vezes, realmente fazemos isso?


Pensando por outro lado, quantas vezes realmente caímos e nos deparamos com situações desconhecidas, passando por dificuldades e tendo que nos adaptar à elas, sem nunca deixarmos de ser nós mesmos, mas sabendo que no final teremos que lutar e vencer, para subirmos e termos coragem de modificar o que antes era cômodo.


O que mais queremos, é fugir literalmente da realidade. É correr, ir atrás de algo que ninguém mais enxerga e acreditar em sua existência. É se aprofundar nesse mundo de imaginação ao mesmo tempo real, dentro de nós. E quem irá questionar a veracidade de sua existência? Não há porque provar ou não aos outros, mas a si mesmo. Uma vez que se acredita em seu próprio mundo, e se aprofunda nele, é você por si só se aventurando com personagens que não passa de você mesmo.


E quem sabe a tal personagem do filme não tenha razão: se estamos loucos? Sim, estamos, e as melhores pessoas são assim. A loucura aqui exposta não é nada mais do que enxergar os desejos da própria inconsciência. É desejar sim, é deixar a imaginação fruir sem as instâncias do ego.


Mais que isso: talvez realmente o mundo das maravilhas seja apenas um sonho. Neste os personagens são meras criaturas fantasiadas de situações, sentimentos ou pessoas do nosso dia-a-dia. O chapeleiro talvez seja aquele que precisamos para nos sentirmos fortes e apoiados para ir além. Não necessariamente seja uma pessoa, mas algo que nos motive a ser mais, lutar e vencer. Louco ou não, é o que nos faz livres.


Assim como o personagem da lagarta azul, o conselheiro, aquele que de início parece não acreditar em nós, mas no final, tem certeza de nossa força e coragem. Quem sabe, este não somos nós mesmos.


Rainha Vermelha e Rainha branca, também há uma parte de nós. Há quem negue que dentro de nós há o “lado ruim e o lado bom”, mas será que em nenhum momento sentimos uma pontinha de inveja de quem se sobressai, mesmo não admitindo isso? E quantas vezes não achamos que é melhor ser temido do que ser amado, e no final descobrimos o contrário, e quem sempre acaba aprisionado é quem de fato de preocupa somente e simplesmente consigo mesmo.


A figura do coelho carregando um relógio de bolso, quantas vezes não corremos atrás do tempo? Ou quantas não o perseguimos querendo recuperá-lo?


Assim como Alice cresce ou diminui demasiadamente, nós a imitamos no meio da jornada. Por diversas vezes nos diminuímos até nos sentirmos insignificante e sem forças nenhuma para ir além, somos jogados por todo lado e estamos vulneráveis para o que vier, e quando achamos um pouco dessa força e coragem, crescemos a ponto de nos sentirmos maior do que todos, prontos a enfrentar o que vier e nos sentindo mais importante ignorando e praticamente pisando em quem pensamos estar abaixo. Porém, é somente quando voltamos a altura ideal, nem pequeno e nem grande demais, é que conseguirmos ir além, lutar e vencer.


No final, todos ajudam para que o mal, aquilo que nos incomoda e o que nos impede, seja derrotado e quem sabe, todos estes não sejamos somente nós, usando de todos os artifícios, sentimentos, idéias e encontrando nossos limites e forças para sermos melhores.


quarta-feira, 28 de abril de 2010

Fama boa. Fama ruim.


A fama tem suas ótimas vantagens, o dinheiro que chega mais fácil, o reconhecimento por qualquer coisa que você faça, as múltiplas amizades (se é assim que devo chamar), tantos elogios que você até chega a acreditar na sinceridade em que as palavras são proferidas. Mas, até que ponto tudo isso é real e verdadeiro? Admiração pelo trabalho, sim, isso é real.

Mas que mundo superficial é esse? Quantas amizades nasceram do interesse? O que dificulta é distinguir a sinceridade e intenção verdadeira de alguém que goste de você, e não do seu personagem. De alguém que vê seus enormes defeitos e não somente qualidades endeusadas, e mesmo com a consciência que seus defeitos não são fáceis de lidar, saber que vale a pena porque as qualidades superam.

É uma pena quando você muda o seu jeito de ser, para agradar os outros. A insegurança e o desejo de aceitação são tamanhos que se submete a ser quem você jamais desejou, e ás vezes até enojou. Mas aí está você, envolvido neste mundo, completo de aceitação falsa, que o faz chegar em casa e sentir o vazio desse meio superficial.

Mas a realidade é: a fama um dia acaba. E o que será de você quando de fato acontecer? Quantas pessoas permanecerão ao seu lado quando você voltar a ser somente... você?


sábado, 13 de março de 2010


Quando mais precisa de alguém, onde estão? Vê-se sozinho e percebe que sempre esteve sozinho. Rir é fácil, acompanham-te. Chorar é difícil, ninguém quer estar perto para ver isso.