quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Mundo particular


Quando menos se espera, o que vem a frente é nada menos que... você.


Espera-se encontrar alguém, quando se assusta ao ver a si mesmo diante de si.


Aquela pessoa que tanto esperou, tem a sua imagem, tem os seus gostos, a sua essência.


Perdeste no olhar do outro, se encontrou em outros braços.


É você, tudo o que lhe atrai, é você. Nada mais que você.


Apaixonou-se por si mesmo.


Sensação estranha, encontrar-se no outro.


Há quanto tempo esteve perdido?


Insegurança de que não fosse amado, enquanto você mesmo não se olhava, não se amava.


Como vender um produto sem acreditar nele?


Foi quando se deu conta, de que acreditar em si foi a melhor estratégia.


Examinou seu mundo particular.


Mundo desconhecido e concomitantemente familiar.


Foi quando se olhou pela primeira vez.


terça-feira, 27 de outubro de 2009

Ele, Ela


Ele chegou sorrateiro, lançou um olhar e a fez tremer.

Ela retribuiu e lançou-lhe um sorriso.

Ele sonhou com esse sorriso e esperava a encontrar de novo.

Ela contou as horas.

Ele contou os dias.

Ela perfumou-se.

Ele vestiu-se bem.

Ela treinou no espelho a forma como diria “olá”.

Ele treinou como lhe roubaria um beijo.

Ela mal dormiu ao pensar no encontro de seus olhares.

Ele perdeu a hora.

Ela chegou de um jeito manso.

Ele chegou de um jeito único.

Ela olhou em seus olhos.

Ele desviou.

Ela culpou-se.

Ele cobrou-se.

Ela fechou-se em seu quarto e derramou lágrimas.

Ele saiu de casa e foi beber.

Ela recuperou-se.

Ele quis recuperar o tempo perdido.

Ela esperava por uma atitude, enquanto vivia à espera.

Ele ficou em dúvida, demorou.

Ela cansou, passou a viver,

sem ele.

Ele arrependeu-se, passou a não viver,

sem ela.


terça-feira, 20 de outubro de 2009

Memória desfeita


A imagem do seu rosto vai se desfazendo com o vento, o tempo o levará junto com os detalhes que antes era nítido.

Amanhã não me lembrarei a forma como olhou para mim, minha memória traiçoeira desfaz aos poucos o que eu desejava guardar por inteiro.

A aparição do seu sorriso,

o som suave da sua voz,

o jeito manso como se move,

o modo como me convence de que estou no melhor lugar,

aquelas horas que repentinamente voam quando admiro os detalhes do seu cabelo e o formato de seu admirável rosto,

a forma como eu me comporto ao seu lado,

os olhares que se encontraram por acaso e me fez tremer ao pensar em um próximo encontro,

a lembrança dos dias em que um simples minuto me faz sorrir,

o melhor de você,

os seus sentidos misturados com os meus.

Uma parte de você vai embora sem pedir licença.

Pobre memória, que leva meus momentos,

meu mais puro sentimento,

junto com uma parte de mim

que se encontra em você.


quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Ciúme

Edvard Munch - Jealousy

Ai, isso que me invade, me rasga, exclui minha razão.

Isso tudo que se apossa, que arde, que não quer passar.

Ai quando quero tirar, quero afogar, quero transpor.

Essa sensação estranha e familiar, vazia e forrada.

Tudo o que eu quero, tudo que não posso.

Ai, o que tem por nome comum, mas é novo a cada momento.

O que parece de todos, mas é exclusivo de cada um.

Ai esse incômodo que não se agüenta, que quer falar.

Que não me deixa agir, não me deixa pensar.

A imaginação, que se deixa voar

E tenta fazer real o que em mim criou.

Ai, esse pedaço cortado de dentro.

Essa entrega, essa não adaptação.

Pura confusão

Prefiro não ver, evito sentir.



terça-feira, 13 de outubro de 2009

Bem-vindo

Sinta-se em casa.

Aqui tem pouco à oferecer, o suficiente para você.

Aquilo que você tem medo de desejar porque sente-se desmerecedor, é incapaz até de pensar que pode,

quem sabe, conseguir.

Mas aqui tem, o que você não espera ter.

Aquilo que você nem sonha, porque tem medo de se frustrar.

O medo que sempre o estagnou nesse momento em que vive. A ousadia que nunca teve por medo de vencer e encarar o novo.

Medo

de não agüentar ser feliz.

Medo

de olhar para frente, de enxergar que viver de passado o deixou coberto de pó.

Aqui tem, sua vida por um novo perfil.

Pedaço de você esperando completar o vazio que carrega, conjugando o verbo “achar” sempre que se depara com uma possibilidade.

Aqui, é convicção.

É pedaço do eu sem o uso da razão.

Sinta-se em casa.

sábado, 10 de outubro de 2009

Entre nós


E o que me invade hoje, é o vazio de não tê-lo aqui.

Tão distante, mesmo quando se aproxima. Tão longe, um do outro.

Tanto espaço entre nós.

Falta tanto, sobra tanto.

E permanece nessa imensidão. De nada, de tudo.

O tudo cheio de nada, o aparente nada cheio de tudo.


sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Esqueceste seu olhar no meu, por um breve momento. Tens toda a culpa.


quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Decido que deixo que me invada, deixo que me mostre, deixo descobrir em mim o que não quero transparecer. Quero, mas não devo, o medo me impede. Prefiro a boa imagem. Prefiro que tente descobrir o que tanto escondo. Meu olhar que se esconda, contenho-me com o brilho que não controlo, não posso abrir o jogo assim. Vai, adiante, não me deixe esperar muito tempo. Inicie esse jogo de cartas marcadas, não derrame-se no tabuleiro, não grude as peças, mova-as. Os dados rolaram, o início é seu.