terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Algumas pessoas entram em nossas vidas sem pedir licença ou permissão para deixar um pouco de si.

Outras, saem rapidamente por um erro bobo, e ao tentarem se reencontrar percebem que a mágica dos momentos que antes era nítido, foi-se junto com o instante em que a palavra errada foi proferida.

Certas pessoas simplesmente nos vêem poucas vezes, mostram seus rostos de passagem, mas quando eles se vão, causam uma dor tremenda que deixa notório a importância que tinham para nós. A partir do momento que conhecemos alguém, este faz parte de nossas vidas, e junto com a pequena lembrança que guardamos deste momento que parece sem importância, nos faz perceber que nasce carinho nessa humilde relação. Mas não percebemos o tamanho do carinho por essas pessoas nos poucos momentos que as vemos, percebe-se apenas quando os perdemos para sempre.

É comum rotularmos pessoas da qual não temos intimidade de “apenas um conhecido”. Mas somente quando não temos mais a oportunidade de olhar nos olhos dessa pessoa e ver o brilho em seu rosto, é que nos damos conta que era mais do que um “conhecido”, era alguém que direcionamos nosso olhar em algum momento, e compartilhamos de nossas vidas naqueles instantes.

Algumas pessoas sempre estiveram ao nosso lado, mas só enxergamos quando deixamos de olhar para si.

Alguns, simplesmente entram em nossas vidas para ficar, e não importa o tempo que passe, não importa se ficam tempos sem dar noticia, simplesmente estão lá por nós.

E existem aquelas pessoas, que sempre estão ao seu lado, que mantêm contato, que lhe dão o abraço que precisa, que te ajuda mesmo quando não diz nada, que te entende com o olhar, que sente saudade, demonstra carinho, que te faz sorrir e que a cada dia faz de você uma pessoa melhor.

Algumas pessoas simplesmente nos cativam por nos amar do jeito que somos. Outras, só percebemos o real significado de suas vidas em nós, quando já é tarde demais para sentir.



quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Saudades dos anos 60


Que saudades dos bailinhos que nunca fui, dos namorados que nunca tive, das danças que nunca dancei.


Saudades de um ano que nunca passou para mim, e que ficou apenas na vontade de existir em um tempo imaginável.


Saudades de não ter vivido em uma época onde não se ouvia falar em violência, onde eu poderia sair na rua sem preocupar ninguém caso eu voltasse mais tarde, uma rua onde quase não se passava carros, uma cidade bonita chamada São Paulo.


Saudades de ter orgulho de morar em São Paulo, quando era muito mais humanas, saudades de usar vestidos comportados, colares de pérola e anéis que ganhei do aniversário passado, sem me preocupar se vou ser assaltada por simplesmente gostar de acessórios.


Saudades do tempo em que paquerar era bom, e no máximo, caso despertasse muito interesse, seria convidada a tomar um sorvete no centro da cidade. Saudades onde o legal era dançar de rosto colado, e onde o respeito era imprescindível.


Saudades de ouvir Beatles tocando nas rádios que nunca ouvi, e gravar as músicas de bailinho na fita para ouvir no fim da tarde que nunca tive. Saudades de ter visto meu encanto por Elvis e minha tristeza com sua morte que não presenciei.


Saudades dos anos que gostaria de ter vivido, mas que infelizmente, ainda não tinha nascido.